Objetivos

  • Discutir o papel do(a) curador(a).
  • Compreender as diferentes concepções de curadoria e de curador(a).
  • Entender as diversas formas de atuação do(a) curador(a).

Conteúdos

  • O trabalho do(a) curador(a) como parte do fazer museal.
  • O(A) curador(a) e o mercado de trabalho.
  • A curadoria de coleções e a curadoria de artes.

Problematização

O que se faz quando se pratica a curadoria? O(A) curador(a) pode ser considerado(a) um(a) autor(a) da exposição?

Orientação para o estudo

Durante o estudo deste ciclo, procure se familiarizar com os conceitos iniciais e localizar as obras indicadas nas bibliografias. Você não deve estudar apenas este material; pelo contrário: aqui pretendemos despertar seu interesse e motivá-lo a aprofundar seus conhecimentos por meio das obras indicadas. Portanto, para enriquecer seus conhecimentos, acesse os links e leia os materiais disponíveis, pois foram criteriosamente selecionados e serão importantes para o seu crescimento pessoal e profissional.

1. Introdução

No ciclo de aprendizagem anterior, você estudou o conceito de curadoria e as suas principais características. Agora, no Ciclo 2, vamos dar prosseguimento ao estudo da curadoria e discutir o papel do(a) curador(a). Esse profissional tem um papel importante nas instituições museológicas, desenvolvendo trabalho de pesquisa, supervisão e montagem de exposições, entre outras atividades.

2. O papel do(a) curador(a)

Iniciemos nosso tópico e ciclo nos valendo do dicionário para nos auxiliar na compreensão da atividade de curador. Segundo o Dicio, Dicionário Online de Português (2020) a palavra "curador" significa:

Aquele que é encarregado, pela justiça, de cuidar dos interesses das pessoas que estão impedidas de fazê-lo.
Artes. Pessoa responsável pela organização e manutenção das obras de arte em museus, galerias: curador de artes. [...].
Aquele que cura; que ajuda na recuperação de um doente.
Etimologia (origem da palavra curador). Do latim curator.oris.

Neste sentido, podemos dizer que a palavra tem o sentido ligado aquele que cuida, tutor, o encarregado em zelar por algo ou alguém. Aquele que "cura a dor", como se diz popularmente em nossa área.

Nesse sentido, denominações como conservateur e comissaire eram atribuídas aos profissionais que trabalhavam, respectivamente, com a conservação de coleções e com a construção de narrativas por meio de exposições. Essas duas vertentes são importantes para entender o trabalho do(a) curador(a) (CARAMELLA; LÚCIO, 2012):

Em um primeiro momento, o curador é cuidador, conservador - nos museus, aquele que se encarrega de cuidar do acervo e de dispô-lo nas salas para exibição. Essa acepção data do século XVIII. Já aí se encontram as primeiras dissidências [...] (PANITZ, 2017, p. 29).

Prosseguindo com suas explicações, Panitz (2017, p. 29) afirma que:

O termo englobou o que na língua francesa costumava estar separado em duas terminologias: o conservateur de musée ou du patrimoine (conservador de museu ou do patrimônio), aquele que é responsável pelo inventário, estudo, documentação, conservação, difusão das coleções de um museu (ou do patrimônio), assumindo funções administrativas e organizando exposições permanentes e temporárias, com o objetivo de colocar em evidência a coleção sob sua salvaguarda, seja em relação ao público em geral ou frente à comunidade científica; e o commissaire des expositions (comissário de exposições), ademais chamado curateur (em paralelo ao termo curator, em língua inglesa), aquele que concebe intelectualmente uma exposição temporária, ficando responsável pela deliberação do tema ou problemática abordada, escolha das peças a serem expostas, definição da disposição das mesmas no espaço e divulgação junto ao público (projeto educativo, textos, catálogo), podendo ou não estar vinculado a uma instituição - nesse caso, como um conservateur des collections (conservador de coleções).

Por sua vez, Christophe Cherix (2010), no prefácio ao livro Uma breve história da curadoria, de Hans Ulrich Obrist, diz que o curador também tem o papel de crítico de arte. Para ele, o termo "curador" está muito atrelado à história das exposições, às coleções e aos museus modernos criados no século 20. Entre um curador e um crítico de arte existem diferenças, mas também podemos dizer que há sobreposições de funções. Hoje o crítico pode ser um curador e o curador pode ser um crítico de arte, além de acumular outras funções.

Fonte: Banco de imagens Claretiano*.
Figura 1 Curador - espaço expositivo.

Na atividade de curador(a), é muito importante visitar os espaços expositivos de arte e conhecer a produção artística.

O(A) curador(a) de arte tem um papel importante em difundir as diversas manifestações artísticas que retratam a diversidade cultural na contemporaneidade. Assim, uma das principais funções do(a) curador(a) é possibilitar o contato com essa produção artística, ajudando também na compreensão da cultura dos diferentes povos e nações.

Segundo Rebouças (2010, p. 9):

O trabalho do curador é organizado a partir de uma autoridade que ele assume no sistema da arte. Comumente é tratado como um mediador, alguém que irá proporcionar a comunicação entre artistas e instituições, obras e público, galerias e colecionadores, artistas e outros artistas, imprensa e obras. Os interesses em jogo nessas relações necessitariam da negociação deste profissional, e a crítica, por sua vez, se encontraria envolvida no emaranhado dessas relações.

Mesmo com histórico do conceito de curador iniciando-se com os gabinetes de curiosidade, ou até mesmo antes disso, é nos anos 1960/1970 que o curador de exposições ganha notoriedade e ganha as características que conhecemos hoje. A função de crítico de arte, por sua vez, nasce no século 19.

O que faz um curador(a)?

Neste momento, sugerimos que faça uma pausa em sua leitura e assista ao vídeo, que separamos para você, que tratará do trabalho do(a) curador(a):

Gostou do vídeo? Esperamos que tenha elucidado ainda mais como é o trabalho do curador. Agora, prosseguindo com nossos estudos, cabe ressaltar a distinção entre crítico e curador:

O crítico de arte é aquele que analisa trabalhos artísticos, indicando pontos positivos ou negativos, e o curador de exposições é alguém que organiza conceitualmente os trabalhos dos artistas, criando, também, coerência na disposição deles numa exposição. Essas funções podem não ser tão bem definidas hoje em dia.

Pronto para testar seus conhecimentos? Responda às questões a seguir e verifique se o seu aprendizado está eficiente.

3. As diferentes concepções de curadoria

Este tópico será iniciado com o vídeo, proposto para este ciclo de estudos, no qual você poderá entender o papel do curador enquanto profissional, acompanhe:

Durante o século 20, o ambiente artístico foi sendo alterado devido à grande produção artística e à elaboração de grandes mostras. Isso ocorreu, concomitantemente, com aumento do mercado de arte anos 1960/1970 e o processo de globalização, que ampliou esse mercado. É nesse contexto que a figura do curador ganha status, pois houve a necessidade de um profissional que organizasse essas exposições e eventos.

Panitz (2017, p. 29) explica que:

[...], já a partir dos anos 50, há uma mudança. Walter Opps (1923-2005) fala da ação do curador como a de um "regente que se esforça para estabelecer a harmonia entre músicos isolados (…) Duchamp ensinou o princípio básico da curadoria: na organização da exposição, as obras não devem ficar no meio do caminho". Mas Opps e seus companheiros estão ligados ao museu, muitas vezes confundindo com a figura do diretor (o que, especialmente no Brasil, conserva-se até hoje).

O(a) curador(a), que inicialmente estava atrelado(a) ao trabalho interno nos museus, começa a se desvincular institucionalmente, pois começam a surgir outras possibilidades fora dos espaços museais. É nesse contexto que vai aparecer, proeminentemente, a figura do(a) curador(a) também como um produtor cultural e com forte alcance no mercado das artes, conseguindo, inclusive, influenciar e alavancar a carreira de determinados artistas.

Acompanhamos a profusão de bienais, centros culturais, feiras, galerias e editais de exposições e residências, muitas vezes, sintoma do vínculo cada vez maior da cultura com os interesses do mercado - período nomeado, a partir da segunda metade do século XX, como "capitalismo cognitivo" (convém reforçar que tal situação tende a favorecer o aumento de oportunidades de atuação para curadores). No entanto, se o crescimento de investimentos em cultura parece algo a se comemorar, isso não significa que museus, bibliotecas e mesmo acervos públicos tenham recebido a mesma atenção e investimentos por parte de governos, empresas e fundações - cabe-nos o alerta (REINALDIM, 2015, p. 16).

É nesse sentido que o curador de exposições ficou mais conhecido do que o curador de coleções. Por conta da cultura do espetáculo, as exposições viraram grandes eventos, inclusive com apoio da mídia. O trabalho com as coleções quase sempre não é conhecido do grande público, pois é um trabalho de bastidores, mas é de muita relevância e tem tanta importância quanto o trabalho nas exposições.

Já para Barbosa (2013, p. 138):

Percebe-se, neste sentido, um deslocamento, ou uma convivência, da figura do curador como mantenedor de acervo e conservador/chefe de museus - com preocupações a respeito da permanência e integridade das coleções - para o curador que muitas vezes se articula dentro de exposições temporárias, incorporando outros espaços e formatos expositivos e imprimindo, muitas vezes, um carácter autoral ao seu exercício.

Granato e Santos (2008, p. 113), por sua vez, defendem o conceito de "curadoria de acervos museológicos". Para os autores, a curadoria é um processo que tem início com a coleta, passa pelo tratamento técnico e culmina com a divulgação dos acervos. Eles afirmam: "o que precisamos é uma abordagem do trabalho curatorial que reconheça o inter-relacionamento dos objetos, pessoas e sociedades, e expressem essa relação em contextos sociais e culturais".

Já Desvallées e Mairesse (2013, p. 33) citam que:

No entanto, há, no Brasil, diferentes concepções de curadoria e, consequentemente, de curador. Uma delas entende curadoria como pesquisa de coleção e curador como o pesquisador de coleção e, em consequência, aquele que define o conteúdo da exposição. Outra, mais recente, considera curadoria como o processo que integra todas as ações em torno da coleção ou do objeto museológico: aquisição, pesquisa, conservação, documentação, comunicação (exposição e educação). Nesse sentido, todos aqueles inseridos nesse processo são curadores.

Atualmente, quando falamos em curadoria, logo pensamos no trabalho com exposições, mas, para muitos autores, o curador de coleções não deixou de existir e continua imprescindível. Para tanto, vejamos o que Panitz (2017, p. 30) tem a nos dizer:

Passa-se a estabelecer uma diferenciação entre a curadoria em museu, por excelência (a partir do acervo) e a introdução das mostras temporárias (com a circulação de obras de outras instituições e coleções). É significativo destacar que há, atualmente, o reconhecimento da importância da ação curatorial dentro do espaço institucional como exemplar do exercício do curador: "O curador é um profissional que, como o artista, também tem direito à liberdade de pensamento, de expressão, mas que deve obrigatoriamente fazer uso público da sua reflexão".

Uma das principais instâncias da prática curatorial ocorre dentro de uma instituição museológica, quando o profissional faz parte da equipe, ou quando é um(a) curador(a) responsável por uma coleção. O(A) curador(a), quase sempre, está vinculado(a) a uma instituição, mas podemos observar que há outras formas de atuar, como no caso de curadores independentes: "Contudo, as delimitações de suas tarefas são uma construção recente, se não ainda em processo. Um dos fatores que determinam o modo de atuação da/do curadora/curador é o vínculo profissional" (MADRUGA; WEYMAR; 2019, p. 2).

Diante do exposto, segundo Nascimento (2012, p. 8):

Pode-se afirmar que são três os principais papéis desempenhados pelos curadores dentro de um museu: Como guarda da herança cultural, eles são responsáveis pela preservação, documentação, estudo e difusão e, quando há recursos, pelo aumento dessa herança (aquisição de peças); Como colecionador, eles devem tentar trazer o máximo de peças relevantes para dentro da instituição, mas de maneira criteriosa e articulada, considerando a pertinência do museu, seus programas e objetivos; Como ideólogo ou agente cultural, operando dentro da História [História da Arte, História Natural etc.], eles devem assegurar a visibilidade de diferentes práticas, mostrando e problematizando os processos de criação.

O(A) curador(a) independente atua propondo projetos e parcerias com diversas instituições culturais que abrigam eventos artísticos. Isso pode ocorrer mediante convites das instituições ou por meio de projetos em editais. Tais profissionais, geralmente, têm um conjunto de projetos organizados esperando a oportunidade de implementá-los, o que pode ocorrer por patrocínio (NASCIMENTO, 2012). Assim:

Ao contrário do curador de instituição, que trabalha a partir de uma coleção, o curador independente trabalha especialmente sobre questões teóricas e/ou históricas. Essas empresas são responsáveis por oferecer o projeto do curador, ou seja, elas providenciam e gerenciam a inscrição do projeto nos programas de leis de isenção fiscal (como a Lei Rouanet, federal, ou Lei Mendonça, do estado de São Paulo) e promovem a captação de recursos via patrocínio público ou privado (NASCIMENTO, 2012, p. 08).

Mais recentemente, também podemos encontrar os chamados coletivos artísticos. Na maior parte das vezes, eles são formados por jovens artistas e jovens curadores. São grupos que se reúnem para produzir e expor seus trabalhos e, quase sempre, produzir seus próprios eventos. Esses coletivos têm desenvolvido novos métodos de trabalho, propondo atividades em conjunto, nas qual o(a) curador(a) participa da atividade criativa na medida em que acompanha diretamente o desenvolvimento da(s) obra(s). Há uma mistura de linguagens: artes plásticas, música, poesia etc. Inclusive, esses tipos de ações, põe em xeque a figura do curador tradicional.

Sendo assim, a figura do(a) curador(a) de artes, ao mesmo tempo em que foi enaltecida, também expôs impasses e contradições:

A euforia e o desconhecimento contribuem para a constância de situações clichês acerca das práticas curatoriais e têm dificultado a problematização de um estado atual de coisas, sobretudo em relação ao processo de espetacularização no meio de artes visuais (REBOUÇAS, 2010, p. 9).

Quer saber mais sobre o trabalho de um curador(a) de exposições?

Para saber mais sobre o trabalho do curador(a) de exposições, veja a reportagem "Curador de arte prepara, concebe e monta exposições", de Fernanda Nogueira (2012), no G1, clicando aqui.

O(a) curador(a) vai ser responsável por supervisionar como essas obras vão ser colocadas em um determinado espaço. Uma obra que está do lado de outra pode ter influência no entendimento de ambas. No conjunto da exposição, isso pode fazer muita diferença. Outro fator é a questão da identidade visual: é papel do(a) curador(a) fazer com que a identidade visual se comunique com o conceito que ele quer transmitir. Assim, a identidade visual pode ser uma pista para o público sobre o que ele vai ver na exposição. Enfim, ele(a) é um(a) profissional responsável por organizar conceitualmente uma exposição e defender esse conceito em todos os seus aspectos.

Nesse sentido, todas as ações realizadas pelo(a) curador(a) ou pela equipe curatorial na elaboração e execução da exposição interferem no que o público assimila do conteúdo proposto. A maneira como os objetos são posicionados, a iluminação utilizada, o circuito expositivo, entre outras ações, criam impacto no público, de forma positiva ou negativa. O(a) curador(a) tece relações críticas conceituais entre um grupo de obras, e não apenas as coloca, simplesmente, em um determinado lugar. Além disso, descobre entre as obras relações inusitadas que antes não existiam ou não eram visíveis.

Curadores são, sobretudo, os experts no mundo da arte reconhecidos institucionalmente, quer atuem dentro de uma instituição ou independentemente. Mais do que os críticos de arte ou galeristas, eles estabelecem o significado e o status da arte contemporânea através de sua exibição, aquisição ou interpretação […] Curadores são os intermediários sancionados das instituições e redes profissionais, por um lado; e artistas e audiências, por outro. […] Até recentemente, a função do curador de arte contemporânea consistia em julgar a qualidade de uma obra em relação a outra, ou de um artista versus outro, de acordo com as convenções de ruptura e experimentação formal estabelecidas pelos movimentos de vanguarda europeus e norte-americanos […] (PANITZ, 2017, p. 28).

Nesse sentido, é necessário ter um olhar crítico sobre as exposições como produto final dos museus. Devemos evidenciar que essa articulação é solidária mesmo que haja um reconhecimento da relevância desse tipo de comunicação nas instituições, pois todas ações são interdependentes. Além dos autores já citados, Cury (2008) também afirma que:

Curadoria ou processo curatorial é uma das formas de se entender o trabalho do museu, agora a partir da cadeia operatória em torno do objeto. A partir desta concepção o papel do curador se amplia, ou seja, são curadores todos aqueles que participam do processo curatorial. Em síntese, esse processo é constituído pelas ações integradas (realizadas por distintos profissionais) por que passam os objetos em um museu, denominados objetos museológicos ou museália, conforme definido por Stránský em 1969 (CURY, 2008, p. 274).

Conheça mais sobre o museólogo Zbyněk Zbyslav Stránský!

Zbyněk Zbyslav Stránský (1926-2016) foi um museólogo tcheco, considerado o "pai da Museologia científica". Entre os anos 1960 e 1970, foi responsável por uma das primeiras tentativas de estruturação de uma base teórica para a Museologia.

Para saber mais, veja o blog História da Museologia, clicando aqui e boa leitura!

Contador de histórias? Mediador? O que mais descobriremos sobre o curador?

Em resposta aos questionamentos, podemos encarar o curador como um agente de construção de narrativas, pois ele se utiliza das obras escolhidas para dar suporte à condução de um discurso. Isso é muito importante para entender o seu trabalho, pois, por meio da cultura material, quer dizer, dos acervos, é possível contar histórias e fazer debates.

Amplie seus conhecimentos!

No transcorrer de nossos estudos, conforme as orientações iniciais deste ciclo de estudos, haverá momentos em que você necessitará fazer as leituras propostas. Vamos a uma delas:

Os autores Bordinhão, Valente e Simão (2017) mencionam que:

Uma exposição sempre irá contar uma história, por isso se fala em narrativa. Como essa história será contada é uma decisão da equipe. A narrativa em uma exposição implica em uma série de escolhas, de artifícios, de linguagens (visuais, sonoras, tecnológicas, acessíveis) que deverá ter começo, meio e fim. Pode-se até criar um texto e com base nele, desenvolver os vários módulos que irão compor a exposição. Esse processo facilita muito o trabalho de dividir o espaço expositivo, dar graduações de importância a alguns pontos ou objetos que se deseja destacar e ajudará o visitante a entender que mensagem se deseja transmitir (BORDINHÃO; VALENTE; SIMÃO, 2017, p. 25).

Sendo responsável por várias ações, o(a) curador(a) é considerado(a), também, um(a) mediador(a) cultural, estando em constante negociação com outros tipos de mediação. Isso acontece porque, na maioria das vezes, esse contato entre artista e público é feito pelo(a) curador(a). Atualmente, há artistas que também são produtores e realizam suas próprias exposições, e, até mesmo, há aqueles que comercializam suas próprias obras. Entretanto, esse trabalho tem sido feito por outros profissionais. Essa mediação é realizada por diversos fatores e relações sociais que vão muito mais além do fazer artístico. Por trás da produção artística, há relações que são baseadas em produção, divulgação, distribuição, consumo, status e comercialização da arte. Sendo assim, na sociedade contemporânea, é muito difícil pensar no fazer artístico, sem tratar de toda uma complexa atividade econômica (COSTA, 2010).

Surge a curadoria de coleções particulares - que embora divida com a do museu a orientação para as novas aquisições, pauta-se pela orientação de um determinado colecionador. E com fortes vínculos com essa última, a curadoria em galerias de arte (e aí "a obra de arte envolve-se no tecido da mercadoria"). A que talvez configure mais especificamente o estado atual da prática é a curadoria independente, quando as mostras são organizadas fora das instituições ou, sendo realizadas dentro delas, o curador é convidado a desenvolver projetos próprios (este é o caso de mostras em espaços alternativos e das megaexposições como as Bienais, etc., onde o curador é escolhido pela proposta que submeteu, entre outras tantas) (PANITZ, 2017, p. 28).

Por sua vez, devemos lembrar que, além de outras funções, o(a) curador(a) também supervisiona um projeto. A exposição, muitas vezes, é um grande projeto, no qual são investidos muitos recursos financeiros, além de contar com a participação de vários profissionais. Como já apontamos, é um trabalho em equipe.

Assim, segundo Bordinhão, Valente e Simão (2017, p. 27):

O responsável (ou responsáveis) pela exposição será a pessoa apontada pelo grupo com qualidades para gerenciar o projeto. Esta pessoa deverá ser capaz e ter tempo para acompanhar todas as etapas e ações necessárias para a montagem da exposição, e de preferência, ter habilidade para ser o agregador da equipe. Muitas vezes o curador toma decisões pelo grupo que deverão ser respeitadas e aceitas, por isso, essa escolha é essencial em todo o processo.

Segundo o museólogo Peter van Mensch (2004), não há mais curador(a) na concepção de um modelo antigo, de um profissional que recebe um treinamento e é responsável por diversas atividades museológicas, como conservação, pesquisa, documentação, exposição e educação. O que passou a existir, a partir de 1960, foram pesquisadores de determinadas áreas, especialistas ou experts. Ainda segundo Mensch (2004), surgiu um novo modelo, que separou as atividades museológicas, fazendo com que a figura do(a) curador(a) não fosse mais o centro daquele universo. Entretanto, como observamos, o(a) curador(a) tem um papel relevante no sistema da arte no mundo contemporâneo.

Ao se propor a exercer a atividade de curador(a), o(a) profissional deve ter noções das principais manifestações artísticas e de como interpretá-las, e também, ser um(a) excelente conhecedor(a) de história da arte e das técnicas utilizadas nas obras. Isso vai ajudar muito! Para tanto, veja, a seguir, algumas dicas de elementos para analisar uma obra de arte - no caso, uma pintura. Entretanto, algumas dessas dicas podem ser utilizadas para outras formas de arte. E que tal você criar os seus próprios critérios?

 

Resumindo...
O curador de artes é o profissional responsável pela concepção, montagem e gerenciamento de uma exposição de arte. Esse profissional, além de conhecer aspectos artísticos, é também responsável por proporcionar a interação e a compreensão entre a obra e o público.

Dito isso, destacamos outras funções:

 

Convidamos você a realizar a última questão proposta para este ciclo. Vamos lá, teste seus conhecimentos!

4. Considerações

Este ciclo de aprendizagem apresentou o conceito de curador e suas principais atividades, uma temática que suscita diversas discussões e debates, os quais não se esgotam por aqui - por isso, é necessária a atualização constante. Lembre-se de que você é o protagonista de sua aprendizagem, e de que, caso restem dúvidas, você pode contar com seu tutor para esclarecê-las.

No próximo ciclo, trataremos dos vários tipos de curadoria. Até lá!