Composição e Arranjos Pedagógicos

1. Introdução

Caro aluno! Seja bem-vindo ao estudo de Composição e Arranjos Pedagógicos.

Esta obra foi elaborada com o intuito de proporcionar a você, aluno de Música, o contato com a dimensão poiética do trabalho musical, isto é, com a parte de criação em Música.

Às vezes, temos uma impressão, baseada no senso comum, de que as áreas ligadas à criação musical são de domínio de poucas pessoas eleitas e com talento acima do normal. No entanto, a composição musical e suas áreas adjacentes, como o arranjo e a transcrição, dependem de habilidades e competências específicas para serem desenvolvidas.

Assim como podemos aprender a tocar um instrumento, também é possível aprendermos a compor uma música.

É verdade que não se ensina a ter boas ideias. Mas, o que é uma boa ideia sem meios para concretizá-la?  Podemos dizer que a criatividade, em um processo de criação artística, lida muito mais com a habilidade de ser capaz de articular “habilidades e competências” necessárias à concretização da ideia, do que propriamente com a concepção da ideia em si.

As habilidades e competências necessárias à criação musical são de ordem específica, ou seja, dependem da aplicação criativa de conceitos, normalmente ligados a apreciações estéticas e analíticas, como harmoniacontraponto e estruturação musical. É por meio do domínio desses conceitos, visando à poiética, isto é, à criação, que você será capaz de, assim como qualquer compositor ou arranjador, criar sua própria música.

Então, cada unidade deste compêndio se propõe a abordar um aspecto relacionado à poiética musical, além de saberes técnicos necessários à concretização da criação.

Na Unidade 1, você terá contato com as concepções acerca daquilo que é um arranjo, como pensá-lo e, também, saber diferenciá-lo de uma composição musical. Outro ponto importante é saber que o arranjo, em geral, responde a uma demanda específica e é concebido com alguma finalidade, por exemplo: ser tocado em dada apresentação ou responder às expectativas dos instrumentistas que irão tocá-lo. Além disso, você terá a oportunidade de conhecer formas de estruturá-lo, tomando nota da instrumentação, do caráter e das finalidades possíveis de seu arranjo. Nessa unidade, você ainda encontrará conceitos sobre texturas musicais, bem como noções básicas de Fraseologia, com o objetivo de entender as possibilidades de estruturação de frases musicais, formatando pequenas melodias.

Já na Unidade 2, estudaremos técnicas de harmonização e rearmonização, usando acordes principais da tonalidade, bem como seus relativos. Entraremos no universo dos acordes alheios ao campo harmônico, o que nos levará aos conceitos de acordes pivôs, modulações e transposições.

Na terceira unidade, serão priorizados os conhecimentos e habilidades para a construção de melodias em contracantos ativos e passivos, tal como a importância da linha do baixo. Ainda nessa unidade, abordaremos formas e sugestões para que você lide com os problemas de escrever um arranjo para pequenos grupos, que tenham limitações de ordem técnica na execução de um instrumento musical ou vozes, quando tratamos, por exemplo, de um coro. Esse tipo de situação é bem comum, tanto em contextos escolares, quanto no cenário musical amador, e estar preparado para lidar com esses fatores auxilia a superar as dificuldades e alcançar um resultado artístico satisfatório e motivador.

Na Unidade 4, serão abordados os conceitos que dizem respeito à instrumentação e ao funcionamento dos instrumentos e das vozes mais comuns em orquestras e outras formações, além de técnicas básicas de orquestração. É nessa unidade que os “instrumentos transpositores” também serão abordados. Mesmo que o objetivo final de nossa disciplina seja a contemplação do arranjo didático e pedagógico, é importantíssimo conhecer as possibilidades e limitações de cada instrumento e de cada voz, antes de escrever para qualquer um deles, extraindo-lhes o máximo de aproveitamento e enriquecendo, assim, seu próprio trabalho criativo.

E, para finalizar, na Unidade 5 voltaremos a falar sobre sofisticação da harmonia, tratando dos Acordes Napolitanos, Acordes SubV e Acordes de 6ª aumentada. Além disso, convidamos você a refletir sobre algumas questões sensíveis à poiética em música. Para tanto, serão oferecidos pequenos ensaios que abordam a natureza da música, seu aspecto temporal e a necessidade de consciência criativa que o compositor deve ter para com sua ideia musical e os meios necessários para concretizá-la.

Note que o objetivo deste material não é esgotar as possibilidades conceituais, nem expor todas as técnicas existentes de maneira ampla e profunda, e sim fazê-lo refletir sobre os processos de criação musical necessários para a poiética em Música, muni-lo de técnicas básicas para a criação musical e abrir-lhe as possibilidades para esse universo, como algo palpável e possível em sua vivência da música. No mais, a partir dos conceitos expostos, você poderá buscar outras fontes que venham a expandir e complementar o que está apresentado aqui, ampliando, assim, seu horizonte teórico e referencial.

Por fim, desejamos que você se empolgue e se envolva com o que é apresentado neste compêndio. A criação musical, entendida aqui sob a perspectiva do arranjo e da composição, é um campo riquíssimo dentro da arte e permite extrapolarmos os limites da imaginação com vistas à expressão artística, além de ser ferramenta fundamental para o educador musical.

Bons estudos!

2. Informações da Disciplina

Ementa

A disciplina Composição e Arranjos Pedagógicos visa utilizar as competências e habilidades teórico-práticas adquiridas pelo aluno, no decorrer do curso de Licenciatura em Música, possibilitando o uso de tais competências de maneira criativa, no dia a dia de sua vida profissional. Assim, busca desenvolver as competências relativas ao arranjo – como concebê-lo, suas motivações, a adaptação de melodias e harmonias, arranjos para coros, a construção de acompanhamentos e contracantos, a contribuição criativa do arranjador, os conhecimentos de instrumentação, tanto para formações tradicionais, quanto para grupos heterogêneos e a escrita para grupos com diferentes níveis técnicos. Além dessas habilidades, serão priorizadas, também, as competências relativas à composição, como: conceber a ideia musical, desenvolver consciência do propósito da ideia musical em uma frase melódica, organizar os sons de modo a criar sentido e expressividade, planejar a obra, conceber sob o ponto de vista técnico, bem como criar tal expressividade a partir dos diversos parâmetros musicais (ritmo, altura, timbre, textura), no sentido de organizar a forma musical. Esses são requisitos fundamentais para que o licenciado disponha de ferramentas criativas, para que o fazer lhe seja uma atividade possível no âmbito de sua prática musical, enquanto possibilidade didático-pedagógica, além de despertar-lhe as habilidades de criação como um universo palpável, acessível a todo aquele que dominar as ferramentas, competências e habilidades necessárias para se criar música.

Objetivo Geral

Os alunos da disciplina Composição e Arranjos Pedagógicos, na modalidade EaD do Claretiano, dado o Sistema Gerenciador de Aprendizagem e suas ferramentas, serão capazes de compreender e utilizar os principais conceitos musicais na arte do compor e arranjar. Para isso, contarão, não só com as obras de referência, mas também com outras referências bibliográficas, eletrônicas, links de navegação e vídeos.

Ao final desta disciplina, de acordo com a proposta orientada pelo professor responsável e pelo tutor a distância, os alunos terão condições de entender estratégias para a confecção de arranjos pedagógicos, e definir metas e analisar possibilidades e impossibilidades no uso de pequenos arranjos efetivos para o trabalho em sala de aula. Para esse fim, levarão em consideração as ideias debatidas na Sala de Aula Virtual, por meio de suas ferramentas, bem como o que produziram durante o estudo.

Objetivos Específicos

  • Compreender as diferenças entre composição e arranjos musicais, bem como instrumentação e orquestração musical e suas possibilidades como ferramentas efetivas para o trabalho pedagógico.
  • Desenvolver competências e habilidades relativas ao arranjo musical.
  • Conhecer os elementos básicos da Fraseologia (morfologia musical).
  • Adaptar e rearmonizar melodias com uso de acordes e linhas em contracantos.
  • Identificar possibilidades de modificação de parâmetros musicais, como a métrica e o caráter, a fim de criar expressividade.
  • Dominar técnicas básicas de instrumentação e orquestração para diferentes instrumentos, vozes e formações instrumentais/vocais.
  • Tratar dos conteúdos facilitadores das possibilidades da criação musical.